Fado de Natal
“Roubei, mas quero devolver o roubo
Não me mande prender que eu vou contar
Sou um homem honesto e do povo
Que por meus filhos tive de roubarCom três filhos pequenos fiquei só
A mãe partiu para não voltar
Oiço os outros dizerem, temos dó
Mas sou eu quem trabalha p'ra lhes darGanhava p'ra meus filhos muito mal
E diz-me o mais novinho cheio de fé
Paizinho vai pedir ao Pai Natal
Que passe pela nossa chaminéSenhor da tua loja então furtei
Brinquedos para pôr nos sapatinhos
No dia de Natal só eu chorei
Mas dei muita alegria aos meus filhinhosO bom do senhor não me prendeu
E disse volte todos os Natais
Não roube mais brinquedos, dou-lhos eu
Que os filhos não pagam erros dos pais.”
Faz muito tempo que li pela primeira vez este fado. Decorei-o de tal forma que mesmo ao encontrá-lo hoje na Internet consegui identificar algumas diferenças em relação à “minha” versão e, por isso, fiz as alterações devidas para deixá-lo conforme o decorei, até porque penso que faz mais sentido.
Ao ler este fado penso na pobreza, na diferença que hoje se pode ver numa sociedade. Numa mesma escola a gente pode ver crianças a chegar de carro trazidos pelos pais e outros vindo a pé, mesmo quando chove torrencialmente.
Não é esta a sociedade que ambiciono para mim. Não quero, por enquanto, trazer ao mundo mais crianças para viverem num mundo assim.
Ser pai é algo demasiado importante para o fazer sem pensar, sem querer, sem ter condições para dar uma vida melhor às crianças que ao mundo trouxer e ajudar, de alguma forma, as crianças trazidas por outros ao mundo.
Quero muito conseguir “por no sapatinho” muito alegria para “os meus filhinhos” mas também para os “filhinhos” dos outros. Isso só se conseguem tendo mais pessoas como eu do meu lado. É preciso pessoas sérias, pessoas que se queiram dedicar às crianças de um modo geral. É preciso impedir que as crianças deixem de passar necessidades.
Estou de acordo que o governo português ajude aquelas famílias com menos recursos para que as crianças só tenham que trabalhar quando já não o sejam. Uma criança jamais deve ter que trabalhar. Uma criança precisa de ter todos os meios para poder estudar com toda a dignidade, quer os pais sejam médicos ou operários fabris. As crianças e a sua vida escolar não pode, nem deve, ser afectada por seus pais ficarem desempregados subitamente. Quando um casal, tendo filhos ou não, fica desempregado é necessário que haja uma instituição pública que lhes forneça sustento trabalho até que estes possam encontrar novo rumo para a sua vida.
Penso que só com estas atitudes é que podemos, por ventura, conseguir criar modelos de família que me deixem satisfeito. Até aos 18 anos todos devem estudar, muitas vezes obrigados é certo, mas têm que o fazer. Depois dessa idade o certo é que continuem, mas depois é problema de cada um.





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